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terça-feira, 19 de outubro de 2010
Olhando um velho álbum
Quem lê meus textos já deve ter percebido que sou meio(ou muito) saudosista e que se pudesse, faria uma máquina do tempo e voltaria uns bons anos atrás.
O fato é que vez por outra eu pego meu álbum de fotos de quando eu era criança e também dessa fase pré-adolescente, entre os 10 e 12 anos e fico viajando ao meu passado.
Talvez eu seja mesmo tão saudosista porque tive uma infância e uma adolescência muito boa... Boa não, eu diria ótima!
E numa dessas viagens ao passado, voltei no tempo exatamente pra uma das festinhas que painho fazia aqui em casa.
Lembro exatamente que nesse tempo nós adorávamos fazer churrasco pra comemorar qualquer coisa, desde os aniversários da turma aqui de casa, até mesmo o aniversário de Bethoveen, nosso cachorro e de Tom, nosso gato.
Tudo era motivo pra painho juntar alguns vizinhos mais chegados, pra eu juntar meus amigos e a gente fazer aquela festa aqui em casa. Claro que não era festa no sentido da produção, na real tava mais mesmo pra uma reunião e pra uma baguncinha.
Painho tomava suas cervejinhas e conversava com os outros adultos sobre os mesmos assuntos corriqueiros nessas ocasiões, como por exemplo o desempenho dos filhos na escola, ou quem dava mais ou menos trabalho na criação.
Nós, os mais jovens, ficávamos jogando dominó, brincando de churrasqueiro e aproveitando pra beliscar as carnes e além de comer as outras comidas gostosas que mainha fazia, como eu tava com meus amigos eu aproveitava o momento pra jogar um video-game ou ficar de boa batendo papo.
Engraçado como tudo era tão simples, mas eu era tão feliz!... Não que eu não seja hoje, claro que eu sou. Mas o que quero dizer é que não existia Internet, eu não tinha Playstation 2 e nem ficava triste se estivesse sem mulher e mesmo assim eu era muito feliz. Bastava estar com os amigos pra trocar uma idéia ou jogar um futebol que estava tudo resolvido e eu ficava satisfeito.
Sinceramente eu acho que mesmo os tempos sendo outros(em todos os sentidos), mas acho que mesmo assim nós temos a triste mania de colocar muitas condições e ter muito critério pra nos considerarmos felizes. É como se antes a gente enxergasse tudo com muita clareza e hoje nossa vista estivesse totalmente turva e atrofiasse nossa capacidade de ver as coisas da forma correta.
Antes eu acho que a felicidade pra minha mãe era juntar painho, eu e meu irmão pra almoçarmos juntos na mesa num dia de domingo. Ou então, olhar a dispensa e abrir a geladeira e ver fartura, ou poder também, renovar meu guarda-roupas a cada 6 meses com roupas novas.
Mainha é daquelas mães tradicionais que ficam felizes em ver harmonia no lar, em receber elogios do marido pela capacidade de organizar uma casa e em cuidar dos filhos com o mesmo zêlo que uma águia cuida dos seus filhotes.
Pra painho eu acho que sua felicidade era ir jogar dominó com os amigos e tomar suas cervejinhas conversando sobre futebol no boteco da esquina, o bar de Ronaldo. Outro momento feliz pra painho era sentar na mesa da sala nos sábados a tarde depois do almoço e tomar sua cerveja(só Antártica) e beliscar um queijo assado, ouvindo Nélson Gonçalves. Aí quando o álcool já começava a fazer efeito(o que demorava um bocado), painho mudava de Nélson Gonçalves pra Roberta Miranda. E todos os sábados eu ouvia os mesmos LP's e sempre que olhava a sala da minha casa nesse horário eu via a mesma cena: Painho sentado com sua cerva e seu queijinho assado, olhando pro nada e contemplando em seu íntimo aquelas canções.
Isso o deixava feliz mas na real eu acho que a felicidade pra painho era ver nossa família toda em ordem, pois ele sabia que de fato era isso que importava.
Quanto a mim... Bem, a felicidade pra mim era o que ela é pra todo pré-adolescente que viveu o início da década de 90.
A felicidade era conversar com os amigos na calçada, era jogar bola o dia todo, era ouvir RPM e Legião Urbana, era descobrir os primeiros encantos e desencantos do que se chama "Amor".
Minha felicidade era brincar e curtir o que a vida tinha de melhor pra me oferecer, sem perder tempo e com a intensidade e energia que todo menino de 10, 11 anos tem.
Minha felicidade era brigar e ao mesmo tempo brincar com o meu irmão, era olhar minha mãe e ver a maior mulher guerreira que eu já conheci e era olhar pro meu pai e enxergar o meu herói e me sentir orgulhoso em ser seu filho.
Olhando pra o álbum da família e revendo as fotos de um churrasco qualquer, eu pude perceber como a felicidade era mais simples e mais fácil de se viver. Olhando aquelas fotos eu lembrei do quanto eu fui feliz e de como tudo aquilo me faz falta. Olhando esse álbum eu pude me reconhecer olhando aquelas fotos do passado e saber que no fundo eu sou a mesma pessoa e o mundo não foi capaz de me corromper por completo. Dentro de mim ainda mora a simplicidade e ainda existe a sensibilidade que outrora existia.
As mudanças são inevitáveis mas quase 20 anos depois eu ainda consigo me enxergar olhando nas fotos de uma velho álbum e isso é o mais importante, pois a minha essência permanece intácta.
"Antigamente a felicidade era muito mais simples..."
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